A infidelidade em relacionamentos é um dos temas mais trazidos para as terapias de casais. Ela pode deixar marcas em quem foi traído e também na pessoa que foi infiel. Mas quais seriam os motivos que levam um casal que por anos viveu em harmonia se deparar com o fantasma da traição?O que é a infidelidade?
A literatura nos traz diferentes tipos de infidelidade, que se caracterizam pelo ato que foi praticado. Podemos citar 2 tipos de infidelidade:
Infidelidade Sexual: contato sexual com um terceiro por meio de beijos, carícias, toque ou sexo oral.
Infidelidade Emocional: flertar com terceiros, envolvimento íntimo com trocas de confidencias e aproximação emocional que vai além de uma amizade.
O conceito de infidelidade é muito amplo, pois cada casal ao iniciar uma relação faz seu "contrato de fidelidade", ou seja, o que é considerado traição por um casal pode não ser motivo de infidelidade para outro.
A infidelidade tem explicação?
Assim como existem milhares de "contratos" entre os mais diferentes tipos de casais, podem existir milhares de explicações do porquê uma pessoa foi ou é infiel. A motivação para uma traição depende muito da pessoa, dos valores que ela aprendeu e do momento que a relação está passando.
Algumas pesquisas realizadas com casais que passaram por algum tipo de traição apontam alguns motivadores para a traição, são eles:
Insatisfação emocional: falta de reconhecimento, falta de atenção, distanciamento do parceiro(a) e falta de sentir-se cuidado pelo outro;
Falta de habilidades para resolução de problemas familiares e conjugais;
Crenças distorcidas sobre como deve ser um relacionamento: muitas pessoas têm crenças rígidas de como deve ser uma relação amorosa e quando essas crenças não são enxergadas dentro da relação têm a ideia de um relacionamento desgastado. São comuns crenças do tipo: "um relacionamento perfeito deve ter sentimentos duradouros e intensos"; "para sermos felizes temos que estar plenamente satisfeitos um com o outro"; "temos que pensar da mesma maneira para que possamos criar nossos filhos."
Repetição de comportamentos familiares: o histórico de infidelidade na família pode ou não ser um motivador para a traição. Crenças adquiridas nas relações com os pais, como idéias machistas, podem ser um motivador para a traição. Os comportamentos observados e aprendidos durante o desenvolvimento podem contribuir para que haja uma repetição do comportamento de trair durante a vida adulta. Por outro lado, o contato com um pai que traia a mãe, pode ser motivador para que o indivíduo quando adulto queira reformular esse padrão de comportamento familiar e não considerar trair seu parceiro.
Crenças Culturais: A cultura de uma sociedade também pode ser influenciadora do comportamento de trair. Crenças sociais como "o homem necessita de mais sexo do que as mulheres", "homem que é homem não pode rejeitar mulheres", são como uma "permissão" para trair.
Perdoar ou não perdoar?
A traição gera sofrimento, angústia, falta de auto-estima e diversos efeitos negativos dentro do relacionamento. Por outro lado, pode ser um momento de aprendizado e crescimento para o casal. Perdoar ou não perdoar uma traição é uma questão muito pessoal, a qual pertence somente aquele que passou por essa dor.
Quando a decisão é pela continuidade do relacionamento, o casal necessitará de tempo para que consigam juntos resgatar o equilíbrio emocional da relação. Algumas pessoas conseguem perdoar o parceiro (a) e desenvolver estratégias para lidar com o medo de ser traído(a) novamente, com a insegurança e com os demais sentimentos negativos que possam surgir após a traição.
Porém, algumas pessoas perdoam, mas não conseguem se desfazer de pensamentos negativos quanto ao futuro da relação. Para essas pessoas a psicoterapia de casal pode ser uma boa solução para, que além de conseguir perdoar, ela consiga desenvolver estratégias para lidar com suas emoções e pensamentos relacionados ao parceiro(a) e ao futuro da relação.
Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
Juiz de Fora-MG
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