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sábado, 2 de abril de 2016

10 curiosidades sobre a ansiedade

1- A ansiedade é uma emoção necessária para a nossa sobrevivência;

2- A ansiedade se torna um problema quando se transforma em reações excessivas, persistentes e
irrealistas frente a situações cotidianas normais;

3- A ansiedade exagerada pode ser reduzida ao mudarmos nossos pensamentos, crenças e atitudes ligados a ela;

4- O curso normal da ansiedade é que ela vá diminuindo naturalmente, a menos que seus sintomas sejam supervalorizados;

5- Pessoas ansiosas acreditam que são fracas, impotentes e invulneráveis, e por isso subestimam sua capacidade de lidar com a ansiedade;

6- Quando ansiosas, as pessoas tendem a focar numa série de erros de pensamentos e assim permanecem concentradas em pensamentos de perigo e ameaça, levando a permanência do estado ansioso;

7- Um longo período de ansiedade pode levar ao medo de ficar ansioso e a pessoa passa a ter "medo de sentir medo";

8- Pessoas ansiosas tendem a não tolerar incertezas;

9-  Fugir ou evitar o que causa a ansiedade contribui para que ela se mantenha;

10-  A  maioria dos episódios de ansiedade são causados por preocupação excessiva.


Leia também: Porque ficamos ansiosos?

Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
juiz de Fora-MG

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O seu passado é um Trampolim ou um Sofá?

"E se eu fosse o primeiro a voltar e mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?"

Certamente se fizéssemos esse questionamento a nós mesmo não chegaríamos a uma resposta concreta. Uma vez que o que somos hoje é exclusivamente produto de cada acontecimento, cada atitude e cada momento que ficou no passado. Não tem como voltar, ou seja, jamais teremos uma resposta.Mas já que não há como voltar e estamos contaminados pelo nosso passado como o usamos, como um lugar de aprendizado ou como um um sofá, onde ficamos confortavelmente estagnados?

Para começar, gostaria de esclarecer meu ponto de vista de que dor é dor. Sim, não importa o quanto o acontecimento pareça insignificante aos olhos dos outros, se uma pessoa sofre por algo, esse fato merece atenção. Não importa se fulano superaria isso em segundos ou se beltrano nem ligaria. Cada pessoa tem sua forma de lidar com os fatos da vida, portanto não podemos quantificar a dor que cada fato pode causar nas pessoas. 

O certo é que por maior ou menor que tenha sido uma dor no passado devemos saber como usá-la no presente. Ninguém escapa de acontecimentos ruins e não temos como apagá-los de nossas memórias. Porém, quando nos agarramos ao passado os sentimentos ruins insistem em manter-se em uma intensidade ameaçadora, onde qualquer evento que nos faça relembrar do ocorrido os intensificam de tal maneira que nos paralisam.

Quanto mais nós agarramos ao passado, mas nos permitimos justificar para nós mesmos o porque somos de tal maneira. É o famoso "Hoje eu sou assim porque quando eu era adolescente...". É verdade que o passado nos molda, eu até disse isso no começo. Eu também disse que não há como voltar para refazer as coisas, porque também é verdade. Mas muito do que nos resta de ruim hoje devido ao nosso passado é porque nós nos permitimos ainda estar agarrados a eles. Porque estamos sentados no sofá do passado lamentado o que não deu certo ou o que poderia ser "se". E nesse sofá passamos a repetir os mesmos comportamentos no presente e a gerar mais e mais dor. 

Mas se não há como voltar e tomar a atitude que deveríamos ter tomado, há como levantar do sofá e usar o passado como trampolim.Usar o passado como trampolim é tirar um aprendizado daquilo que aconteceu, nos livrar da culpa, do medo, do rancor, reconhecer nossos erros para diminuí-los no futuro e tirar da experiência um maior auto conhecimento. Quando permitimos que o passado seja usado de forma saudável conseguimos nos livrar daquilo que nos prende a ele e então passamos a viver onde importa, no presente. Para isso isso é necessário paciência para superar a dor que se arrastou por todos os anos e seguir em busca pelo que podemos ser e ter de melhor nessa vida.

Mesmo que pareça uma missão complicada, é possível deixar o passado onde ele deveria estar. Se for um caminho penoso para se percorrer sozinho procure ajuda de amigos, parentes, de pessoas que você ama ou de profissionais que possam te fortalecer nessa jornada em busca de uma vida no presente. Apenas não desista da pessoa que você poderia ser hoje para se agarrar aquela que foi no passado.

E respondendo o questionamento da letra da música no início do texto: Se você voltasse ao passado e mudasse o que fez eu jamais saberei te dizer quem você seria hoje. Mas se você viver seu presente, fora do sofá do passado, você pode ser quem e o que você quiser.

Ana Cláudia Vargas da Silva - Psicóloga

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Estresse em cuidadores de idosos

Geralmente, o papel de cuidador é ocupado por um único membro da família, que fica responsável por todos os cuidados com idoso, mesmo que este possua outros familiares próximos. Sendo que as pesquisas apontam que a tendência é de que o cuidador do idoso seja, em uma hierarquia, a esposa, a filha mais velha, a nora mais velha e a filha solteira ou viúva. Ou seja, (geralmente)são as mulheres com maior idade que ficam com a responsabilidade de cuidar do parente idoso.

Muitos são os que relatam as dificuldades de se cuidar de uma pessoa idosa, seja pela personalidade difícil do idoso, pela falta de apoio dos parentes ou pelo cansaço do dia-a dia.Estes e muitos outros fatores podem levar o cuidador ao adoecimento.

Junto a esses estressores soma-se o fator das maiores responsabilidades recaírem apenas sob o cuidador, tornando-se comum o surgimento de  sintomas de estresse e/ou depressão, principalmente quando se trata de cuidados a idosos com doenças crônicas ou graves. Portanto, esteja atento aos seguintes sintomas:


Na presença de alguns desses sintomas, é importante que o cuidador procure a ajuda de um profissional para que assim possa trabalhar seus sentimentos e cuidar de sua saúde saúde mental. Afinal, para que possamos cuidar do outro, primeiro precisamos estar bem conosco. 

Ana Cláudia Vargas- Psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 7 de novembro de 2015

Abuso emocional, um vilão invisível

Quando falamos em abuso entre casais temos a tendência de relacioná-lo com agressões físicas e verbais. Isso pode ser justificado pela quase invisibilidade do abuso emocional, que não transparece por muitas vezes ser sutil. 

Quanto mais recente é o relacionamento mais invisível é o abuso, pois ele está envolvidos por crenças que o justificam, como: "Tenho ciúmes por a(o) amo" ou "Faço isso porque quero seu bem".



Uma vez justificada a forma disfuncional do relacionamento, o parceiro passa a acreditar nessas crenças e cria suas próprias crenças como: "É o jeito dele(a) mostrar que se importa comigo" ou " Ele(a) é assim mesmo e eu é que tenho que me acostumar."

Justificado por ambas as partes, o abuso emocional se mantem em sua invisibilidade por um longo tempo. E ao mesmo tempo em que se instala uma falsa sensação de estar tudo bem, também se instala a baixa-estima, a insegurança e a dependência no abusado; e o desejo cada vez maior de controle no abusador. 

O abusador, na busca pelo controle, pode usar diversos artifícios, como:

Tentar afastar o(a) companheiro(a) das pessoas, empregando esforços para que o abusado acredite que não deve ou que não valha a pena socializar-se, seja com amigos, colegas de trabalho ou familiares;

Jogos mentais, colocando-se em situações onde manipula o(a) companheiro(a) com o intuito de conseguir aquilo que se quer. 

Anular a identidade do(a) parceiro(a), fazendo com que tudo que o companheiro faça gire ao redor daquilo que o abusador deseja, até o ponto em que este tenha o controle absoluto da vida e rotina do abusado. 

Apontar as falhas e dar grande enfase a elas quando não consegue o que quer ou acredita que perdeu o controle. 

Os abusadores usam diversos artifícios para conseguir manipular e manter a sensação de controle absoluto do outro. Na maioria das vezes esses artifícios não são visíveis e quanto mais o abusado concorda com isso mais invisíveis elas se tornam. 

 Apesar de manter-se oculta a maior parte do tempo, é possível vê-las claramente quando o abusado perde o controle da situação, onde suas estratégias tornam-se mais agressivas para que ele retome sua sensação de controle.

O controle passa a ser a meta do abusador, em todas as situações e a todo momento, onde a cada dia anula, sutilmente e constantemente, o outro. O abusado passa a sentir-se infeliz e não enxerga qualquer possibilidade além de aceitar o outro "como ele é". 

Muitos abusados tentam mudar seu companheiro na expectativa de salvar o relacionamento, mas isso muitas vezes falha, pois o abusador tem o desejo insaciável de controlar o abusado e não reconhece esse desejo como patológico, mas como amor ou zelo. 

É preciso que ambos procurem ajuda profissional, o abusado para recuperar sua auto-estima e partir para ação de controlar sua própria vida e o abusador para compreender o porquê desse desejo incontrolável.

Quando um casal passa por isso não há quem esteja feliz, pois o abusado sente-se anulado e limitado a satisfazer apenas o desejo do outro e o abusador nunca está feliz, pois a mínima demostração de falta de controle traz uma grande frustração e mobilização para trazer o controle de volta.

É preciso coragem para sair de um relacionamento abusivo, mas é possível!!! Procure ajuda e não se esqueça:

Ciúmes não é amor,
Controle não é zelo,
Perseguição não é preocupação.
Isso tudo não tem nada a ver com amor, isso é ABUSO!



Ana Cláudia Vargas
Psicóloga
Juiz de Fora-MG
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sábado, 19 de setembro de 2015

6 sinais que apontam que seu trabalho está te estressando

Não é raro que ao receber um paciente pela primeira vez este tenha entre suas queixas o trabalho. Observo que essa queixa é muito frequente e que é motivada por diversos fatores que vão desde o relacionamento interpessoal até a falta do sentimento de valorização. 

Muitas vezes o estresse sofrido no trabalho acaba por se estender para outros campos da vida do paciente, o que pode dar-lhe a impressão de que nada em sua vida está dando certo. Portanto é muito importante que estejamos atentos aos sinais que aparecem e que podem ser indicativos de estresse causado pelo trabalho. Vamos a 6 deles:



Caso tenha se identificado com os sintomas acima por estes ocorrem com certa frequência talvez seja a hora de procurar ajuda. O estresse no trabalho pode trazer diversos prejuízos à sua vida profissional e pessoal. 

Além de problemas emocionais como depressão, isolamento social e agressividade, o estresse causado pelo trabalho também pode levar a sérios problemas físicos como problemas respiratórios, baixa imunidade do sistema imunológico, taquicardia, gastrite, dores de cabeças constantes e pressão alta.

Se esses sintomas já estão presentes, é importante que se procure ajuda para que você consiga compreender o que te levou a esse estresse e quais são as estratégias que pode usar para lidar com isso. 

Tratar o estresse causado pelo trabalho pode evitar diversos problemas como: queda da produtividade, isolamento social, autoritarismo e  conflitos entre a equipe e em outras áreas da vida.


Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 22 de agosto de 2015

As frustrações do dia a dia expostas nas redes sociais

Quem nunca se deparou com um post de um amigo reclamando da vida, do dia, do café morno ou até mesmo da amargura de se acordar cedo numa segunda-feira? Quem nunca, não é verdade!? Mas e quando essa pessoa somos nós e não conseguimos perceber isso?

Lembro que quando era pré-adolescente mantinha um diário pessoal e o guardava como se fosse a coisa mais importante da minha vida. Afinal, ali estavam todos os meus sentimentos, meus segredos, minhas frustrações e  quereres.

Assim como meus diários, hoje as  redes sociais se tornaram para algumas pessoas um diário da vida dirigido a todos os tipos de pessoas, sejam elas parentes, melhores amigos ou até mesmo aquela pessoa que você conheceu na noite anterior e no outro dia já a adicionou em sua rede de amigos virtuais. 

Mas porque escolher compartilhar coisas tão íntimas, como os sentimentos, a tantas pessoas?  Será que elas estão realmente preocupadas em saber o que está se passando com você ou apenas querem ter uma informação sobre o que se passa? Acredito que essas perguntas devam ser consideradas quando decidimos por falar sobre nós para as outras pessoas. 

Mas talvez, a mais importante de todas as perguntas seria: " o que eu ganho verdadeiramente e qual é o preço a se pagar por tanta exposição?

Observo que quando há uma grande carência afetiva saímos desesperados em busca de aprovação, mesmo que o preço que tenhamos que pagar seja a escravidão de verificar a cada segundo quantas curtidas recebemos. E quando isso acontece, a quantidade de curtidas é que passa a determinar o quanto  estamos belos, o quanto estamos sofrendo e se merecemos a compaixão dos outros. 

Está longe do objetivo desse texto determinar se esse comportamento é correto ou  não. Mas cabe olharmos para esse tipo de comportamento e refletir qual seria o real propósito de expormos sentimentos e frustrações para pessoas que pouco ou nada nos conhece.

Observar o quanto de carência existe em nós, se há a falta de pessoas próximas que possam nos escutar verdadeiramente ou se estamos em busca de aprovação e compaixão é o primeiro passo para podermos entender tal comportamento.

E por fim, lembrar que as brigas,seja com chefe,amigos ou namorado,não serão resolvidas pelas redes sociais através da hashtag "fica a dica", pois para isso existe algo muito menos moderno do que as redes sociais, mas muito mais eficaz,  que se chama diálogo! Assim como as frustrações do dia a dia, que seriam melhores administradas ao serem dirigidas as pessoas que realmente se importam com aquilo que sentimos e que possam nos apoiar verdadeiramente em um momento difícil.  

Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 8 de agosto de 2015

8 distorções cognitivas comuns na relação conjugal


As cognições disfuncionais são o foco da terapia cognitiva comportamental no tratamento com casais. Os pensamentos automáticos do casal muitas vezes não são percebidos e acabam se tornando plausíveis ao indivíduo. Ao crer que seu pensamento é verdadeiro a pessoa passa a se basear somente neste sem considerar que seu pensamento pode estar fora da realidade.




Os erros de pensamento mais comuns na relação conjugal são:

Abstração seletiva: onde o cônjuge seleciona os fatos que comprovem seu pensamento distorcido e ignora todos os outros fatores que possam invalidar seu pensamento. Com isso passa a enxergar somente as evidências que comprovem suas crenças negativas a respeito do parceiro.

Hipergeneralização: o parceiro cria uma resposta padrão para as situações baseado em um fato isolado do passado, levando-o a um comportamento negativo sempre que enfrenta uma situação parecida.

Inferência Arbitrária:o  indivíduo tira conclusões tendenciosas de fatos específicos mesmo quando não há evidências que a comprovem. 

Personificação: o que acontece no relacionamento é interpretado de forma egocêntrica, onde as ações do parceiro sempre são avaliadas como uma forma de mostrar insatisfação ao cônjuge.

Leitura do Pensamento: o companheiro acredita saber o que o outro está pensando e sentindo o tempo todo, sendo que este tipo de distorção pode levar a interpretações erradas e impedir a abertura para o diálogo. 

Rotulação negativa: os cônjuges constroem a partir de eventos isolados rótulos para si e para o companheiro, mesmo com  evidências que contradizem o rótulo criado. 

Pensamento Dicotômico: são pensamentos polarizados que não permitem um meio termo, levando o cônjuge a pensamentos como os de ser rejeitado ou mal amado. 

Maximização e Minimização: o cônjuge avalia determinadas situações e atribui um valor maior ou menor do que realmente tem, sendo que os aspetos negativos são supervalorizados, enquanto os positivos são descartados.

A psicoterapia de casal busca identificar quais são as distorções cognitivas do casal que trazem problemas no relacionamento, levando o casal a refletir sobre seus pensamentos e crenças em busca de uma reestruturação dessas cognições.

Ana Cláudia Vargas
Psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 1 de agosto de 2015

A importância da espiritualidade para a saúde mental

A religião é indiscutivelmente uma das formas mais antigas e gerais de manifestações humanas. É evidente por si mesmo  que qualquer tipo de psicologia que trate da estrutura psicológica da personalidade humana não pode evitar pelo menos a constatação do fato de que a religião não é somente um fenômeno sociológico e histórico como também tem um valor pessoal muito significativo para as pessoas.

A religião é reconhecida como provedora do re-equilíbrio e saúde da personalidade, sendo o bem estar espiritual uma dimensão do estado de saúde, assim como são as dimensões corporais, psíquicas e sociais.

Estudos que analisaram a correlação entre saúde e religiosidade apontaram que o envolvimento religioso e a espiritualidade estão associados com melhores índices de saúde, incluindo maior longevidade, habilidades de manejo e qualidade de vida, assim como um menor índice de ansiedade, depressão e suicídio. Além da menor probabilidade de uso de drogas lícitas e ilícitas e de apresentar comportamentos de risco. 

As práticas religiosas podem ter influência importante em como as pessoas lidam com os eventos traumáticos, promovendo percepções resilientes e comportamentos como a aprendizagem positiva da experiência, o amparo para a superação da dor psicológica e a auto-confiança em lidar com adversidades. 

Muitas pessoas acreditam que psicólogos não consideram a religião e até mesmo são descrentes, o que as leva a desconsiderar a procura de ajuda quando necessitam, quando na verdade esse pensamento é mais um dos mitos criados a respeito da figura do psicólogo. 

O tipo de crença do profissional não deve interferir no atendimento do paciente. Na psicoterapia, ao abordar temas sobre religiosidade e espiritualidade, o terapeuta deve pesquisar o papel da religiosidade no sistema de crenças pessoais do paciente e como tal fato pode se usado de forma benéfica para a pessoa. 

A psicoterapia deve voltar-se para o paciente e seu sistema de crenças, no sentido de potencializar suas capacidades.Já o psicólogo deve estar preparado para abordar questões sobre religiosidade quando estas aparecem no ambiente terapêutico.  

Uma vez que explorar crenças religiosas e espirituais pode ser útil no processo terapêutico, é uma necessidade e um dever ético o respeito a essas opiniões, a empatia, assim como a continência a realidade que o paciente traz, ainda que o terapeuta não compartilhe das mesmas crenças religiosas.

Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 27 de junho de 2015

Sinais de sofrimento psíquico na dor crônica

Pacientes com dor crônica passam por caminhos difíceis e muitas vezes seu estado emocional é negligenciado pelos familiares e até por ele mesmo, pois este pode estar envolvido por sintomas depressivos ou ansiosos causados pelas dificuldades do tratamento. 

Os familiares e o próprio paciente devem estar atentos para além da dor física e devem procurar reconhecer os sinas da dor emocional do paciente. Dentre muitos sintomas emocionais podemos citar os seguintes:

Desesperança: diante tantas tentativas de tratamento o paciente pode tornar-se desesperançoso quanto seu futuro, o que poderá levá-lo a quadros depressivos e a desistir de se cuidar. 

Cansaço: é muito comum, pois os tratamentos para dor crônica são demorados e exigem intervenção de vários profissionais. 

Resistência a adesão aos tratamentos: a resistência para iniciar o tratamento pode ser comum, pois o paciente com dor crônica pode sentir-se desesperançoso devido a inúmeras tentativas fracassadas e assim recursar qualquer nova intervenção.

Raiva: o sentimento de raiva pode se dar devido a toda mudança familiar, social e profissional que a doença crônica exigiu que o paciente fizesse.

Medo: devido a dúvidas quanto seu diagnóstico e seu futuro. 

Sentimento de perda de identidade: geralmente pelo afastamento de tudo aquilo que o personificava, o paciente passa a sentir-se sem lugar ou inútil.

As mudanças de humor, alterações do sono e do apetite também são muito comuns. 

É muito importante que a família esteja atenta a esses sinais e que o paciente consiga conciliar o tratamento médico com o tratamento psicológico, para que consiga reconhecer seus pensamentos e expectativas acerca de sua doença e assim desenvolver estratégias saudáveis para prosseguir com seu tratamento.

Ana Cláudia Vargas da Silva
psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 16 de maio de 2015

Mentira Patológica


A mitomania ou mentira patológica é a definição do comportamento habitual do mentiroso compulsivo. A mitomania é uma patologia que pode durar por longos períodos ou até por toda a vida de uma pessoa. As mentiras do mitomaníaco, geralmente, estão relacionadas com um assunto específico e só em casos mais graves atingem diversos assuntos.



Há uma grande diferença entre o mitomaníaco e o mentiroso. Para o primeiro a mentira é usada como uma forma de consolo para algo que ele idealizou ser ou ter em sua mente. Já os mentirosos ou fraudadores usam a mentira como um meio para conseguir outras coisas.

Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em razão de uma angústia muito profunda. Diante de suas angústias a pessoa sente a necessidade de contar histórias que o façam sentir de acordo consigo mesmo. Essas histórias consistem em fatos contados que não são totalmente improváveis e têm algum elemento de verdade. Por exemplo, uma pessoa com a necessidade de sentir-se querida ou amada, pode contar histórias em que é grande influenciador de pessoas importantes.

A mitomania ainda é uma patologia pouco estudada e não está presente nos manuais diagnósticos de patologias. O que se sabe é que o mitomaníaco necessita de ajuda profissional, que pode envolver medicações, psicoterapia e o envolvimento da família no tratamento.

É bem incomum que essas pessoas procurem ajuda, pois ao se exporem podem sentir uma grande vergonha pelas histórias contadas.  Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, pois envolve um desequilíbrio emocional considerável.

Pelo motivo das histórias serem contadas com tanta firmeza, faz com que os que o rodeiam acredite. Mas o mais comum é que com o passar do tempo as pessoas comecem a perceber. Porém, o mais importante é que os familiares reconheçam que a mitomania é uma doença e que não emitam demasiados julgamentos, mas sim que  ofereçam suporte.

Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
Juiz de Fora-MG

sábado, 4 de abril de 2015

Solidão: consequências para a sua saúde

A solidão é vista por muitos como um comportamento necessário para a criatividade e até mesmo para a reflexão. Realmente, por vezes precisamos de um tempo sozinhos para nos refazermos, refletirmos e seguir com a vida, mas muitas vezes esse momento torna-se muito frequente, o que nos
leva ao isolamento social. 

O isolamento social está presente em diversas psicopatologias, como a depressão e fobias sociais. Estar ou sentir-se sozinho afeta por completo nossa funcionalidade diária. Nos tempos atuais muitos meios para a comunicação entre pessoas estão em alta, mas o que percebemos é que mesmo com uma rede social repleta de amigos e seguidores ainda assim há um grande sentimento de solidão entre as pessoas.

Algumas pesquisas recentes sobre a solidão apontam algumas consequências que esse tipo de comportamento(se isolar) e sentimento(sentir-se só) causam, seja ele escolhido ou causado por fatores externos:

A solidão ameaça a longevidade: um estudo apresentado pela Universidade Brigham Young, nos EUA, verificou que a solidão e o isolamento social são uma ameaça à longevidade e que os riscos de mortalidade podem ser comparados aos riscos causados pela obesidade,pelo vício em cigarros e pelo alcoolismo. 

Risco maior de doenças: um estudo da Escola de Medicina da Califórnia demonstrou que o isolamento social pode produzir uma alteração nas atividades moleculares dos genes, causando um maior risco de doenças, como as de coração, infecções e câncer. 

Aumento da pressão arterial: a Universidade de Chicago, após um estudo com 229 pessoas concluiu que as pessoas mais solitárias apresentam pressão arterial três vez maior do que pessoas que não se consideram solitárias. A pesquisa revelou ainda que a solidão após os 50 anos de idade aumenta o risco de hipertensão arterial e que em pessoas jovens podem causar problemas nos vasos sanguíneos que podem traduzir mais tarde em hipertensão arterial. 

Sentir-se sozinho ou estar sozinho pode ter implicações negativas na vida de uma pessoa, sejam elas físicas ou psicológicas. É muito importante que se procure ajuda para analisar as causas desse sentimento e do comportamento de se isolar. Por trás da solidão podem haver diversos fatores, inclusive psicopatologias que não foram diagnosticadas e tratadas , onde um de seus sintomas é o isolamento social.

A psicoterapia pode ajudar essas pessoas a desenvolverem mecanismos para diminuir esses sentimentos de solidão que afetam áreas importantes da vida, como a familiar e a social. 

Compreender quais os pensamentos que levam ao isolamento social, desenvolver novas habilidades de comunicação e entender as crenças sobre como o indivíduo se enxerga e vê o mundo são pontos a serem trabalhados na psicoterapia que volta-se ao tratamento do isolamento social e da solidão.

Ana Cláudia Vargas da Silva
Psicóloga
Juiz de Fora-MG

Querer mudar o outro, dá certo?

Não é nada raro que nos relacionamentos existam discussões onde uma das parte exija mudanças da outra. E mesmo que o tempo passe, as brigas...